Esclerose Múltipla (EM) – O que é importante saber sobre a doença rara e autoimune

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A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença autoimune, crônica e inflamatória do sistema nervoso central, onde o sistema imunológico ataca a mielina (revestimento dos nervos). Embora não tenha cura, o tratamento precoce é fundamental para controlar a atividade da doença e melhorar a qualidade de vida. 

Este guia compila os tratamentos, métodos de diagnóstico e os direitos garantidos aos pacientes no Brasil em 2025.


1. Diagnóstico da Esclerose Múltipla

O diagnóstico é clínico e baseado em exames de imagem, buscando evidências de lesões (inflamação) no cérebro e na medula espinhal que ocorreram em tempos e locais diferentes (“disseminação no espaço e no tempo”). 

  • Exame de Ressonância Magnética (RM): O exame principal para visualizar placas desmielinizantes.
  • Exame de Líquor: Analisa o líquido cefalorraquidiano, procurando por bandas oligoclonais, o que ajuda a confirmar o diagnóstico e excluir outras doenças.
  • Critérios de McDonald: Diretrizes internacionais utilizadas para confirmar a doença, com atualizações esperadas para 2025 para torná-lo ainda mais precoce.
  • Diagnóstico Diferencial: Exames de sangue são necessários para excluir infecções, deficiência de vitamina B12 e doenças metabólicas que mimetizam a EM. 

Sintomas iniciais comuns: Fadiga, alterações visuais (neurite óptica), formigamentos, fraqueza muscular e desequilíbrio. 


2. Guia de Tratamentos (2025)

O tratamento é dividido em três fases: 

  1. Tratamento do Surto: Uso de altas doses de corticoides (pulsoterapia) por 3 a 5 dias para interromper a inflamação.
  2. Tratamento Modificador da Doença (DMT): Medicamentos para prevenir novos surtos e a progressão da incapacidade.
  3. Reabilitação: Fisioterapia, psicologia e terapia ocupacional. 

Medicamentos Modificadores (Disponíveis no SUS e ANS) 

  • Imunomoduladores/Imunossupressores: Interferonas, acetato de glatirâmero, teriflunomida, fumarato de dimetila.
  • Anticorpos Monoclonais: Natalizumabe (1ª linha de alta atividade), Alentuzumabe, Ofatumumabe (demonstrou alto potencial de remissão).
  • Novas Terapias: Pesquisas focam em medicamentos remielinizantes (que restauram a mielina). 

Importância da Adesão: Tratar logo após o diagnóstico é crucial para evitar sequelas permanentes. 


3. Direitos e Benefícios (Brasil 2025)

Pacientes com EM, devido à natureza crônica e possíveis sequelas, podem garantir direitos funcionais e financeiros. 

  • Atendimento pelo SUS: O SUS fornece os medicamentos modificadores de alto custo (PCDT).
  • Benefícios INSS: Auxílio-doença (para afastamento temporário) e Aposentadoria por Invalidez (se comprovada incapacidade permanente). A EM é considerada doença que não exige carência.
  • BPC/LOAS: Benefício de Prestação Continuada para pessoas de baixa renda com deficiência.
  • Isenção de Imposto de Renda: Isenção sobre rendimentos de aposentadoria ou reforma.
  • Saque FGTS: Em trâmite (PL 2.360/2024) para permitir saque do FGTS para tratamento de Esclerose Múltipla.
  • Tarifa Social de Energia: Desconto de até 65% na conta de luz, dependendo da renda e critérios legais.
  • PCD (Pessoa com Deficiência): O enquadramento como PcD depende do impacto funcional e limitações causadas pelas sequelas. 

Como garantir: É essencial ter laudos médicos detalhados, exames e prontuários atualizados. 


4. Estilo de Vida e Acompanhamento

  • Saúde Mental: A prevalência de depressão é alta (36% a 54%).
  • Hábitos Saudáveis: Não fumar, praticar atividades físicas (reabilitação), manter alimentação orgânica e controlar o estresse ajudam no tratamento medicamentoso. 

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Author: Luana Vigna Advocacia

Luana Vigna Advocacia

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