Cientistas descobrem ‘interruptor secreto’ do corpo que desliga inflamações

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Mecanismo natural do organismo pode inspirar novas terapias anti-inflamatórias.

Pesquisadores da UCL identificaram um mecanismo do corpo que freia a inflamação crônica sem suprimir a imunidade, com epóxi-oxilipinas atuando como “interruptor” biológico.

Em voluntários, o fármaco GSK2256294 bloqueou a enzima sEH, elevou epóxi-oxilipinas, reduziu monócitos intermediários e acelerou a resolução da dor, disse Olivia Bracken.

A UCL afirmou que 12,13-EpOME desliga o sinal p38 MAPK; Derek Gilroy defendeu ensaios em artrite e doenças cardiovasculares, e Caroline Aylott citou impacto na dor.

Uma descoberta liderada por pesquisadores da UCL (University College London) pode representar um avanço importante no combate à inflamação crônica, condição associada a doenças como artrite, problemas cardiovasculares e diabetes.

Publicado na revista Nature Communications, o estudo identificou um mecanismo natural do próprio organismo capaz de limitar a inflamação sem comprometer o funcionamento global do sistema imunológico.

Detalhes da pesquisa
A inflamação é uma resposta essencial contra infecções e lesões. No entanto, quando não é desligada adequadamente, pode se tornar persistente e contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas. O novo estudo mostra que pequenas moléculas derivadas de gordura, chamadas epóxi-oxilipinas, atuam como um verdadeiro freio biológico da resposta imune.

Nossas descobertas revelam uma via natural que limita a expansão prejudicial de células imunológicas e ajuda a acalmar a inflamação mais rapidamente. Direcionar esse mecanismo pode levar a tratamentos mais seguros que restaurem o equilíbrio imunológico sem suprimir a imunidade de forma geral.

Olivia Bracken, primeira autora do trabalho, em nota da universidade

Para compreender o mecanismo em ação, os pesquisadores realizaram um experimento controlado com voluntários saudáveis. Os participantes receberam uma pequena injeção de bactérias E. coli inativadas por radiação ultravioleta no antebraço, provocando uma reação inflamatória temporária caracterizada por dor, vermelhidão, calor e inchaço.

Os voluntários foram divididos em dois grupos. Um recebeu o medicamento GSK2256294 antes do início da inflamação, em estratégia preventiva. O outro recebeu o fármaco quatro horas após o surgimento dos sintomas, simulando uma abordagem terapêutica convencional.

O medicamento atua bloqueando uma enzima chamada epóxido hidrolase solúvel, conhecida como sEH, responsável por degradar as epóxi-oxilipinas no organismo. Os resultados indicaram que o bloqueio dessa enzima elevou os níveis das moléculas protetoras, reduziu significativamente os monócitos intermediários, um tipo específico de glóbulo branco, no sangue e nos tecidos, e acelerou a resolução da dor.

Os monócitos intermediários são glóbulos brancos que ajudam a combater infecções e reparar tecidos. Em episódios breves, coordenam a resposta imunológica e apoiam a recuperação; porém, quando persistem ou se expandem em excesso, mantêm o sistema imunológico ativado, levando à inflamação crônica. UCL, em nota Curiosamente, o tratamento não alterou de maneira relevante os sinais externos da inflamação, como vermelhidão e inchaço. Por causa disso, sugeriu que o mecanismo atua de forma mais direcionada na regulação celular do que nos sintomas visíveis.

Testes adicionais mostraram que uma das epóxi-oxilipinas, chamada 12,13-EpOME, atua desligando um sinal proteico conhecido como p38 MAPK, envolvido na transformação dessas células inflamatórias. O professor Derek Gilroy destacou a relevância do estudo por ter sido conduzido inteiramente em humanos.

Este é o primeiro estudo a mapear a atividade das epóxi-oxilipinas em humanos durante a inflamação. Ao aumentar essas moléculas protetoras derivadas de gordura, poderemos desenvolver tratamentos mais seguros para doenças impulsionadas pela inflamação crônica.

Derek Gilroy, um dos autores

Segundo ele, o uso de um medicamento já considerado adequado para aplicação em humanos amplia o potencial clínico da descoberta. “Este foi um estudo inteiramente realizado em humanos, com relevância direta para doenças autoimunes. Utilizamos um medicamento que pode ser reaproveitado para tratar crises em condições inflamatórias crônicas, uma área atualmente carente de terapias eficazes”, acrescentou.

Possíveis impactos clínicos

A pesquisa abre caminho para ensaios clínicos com inibidores da enzima sEH em doenças como artrite reumatoide e enfermidades cardiovasculares. Sobre essa possibilidade, Bracken explicou que a estratégia pode ser testada em combinação com tratamentos já existentes.

Por exemplo, a artrite reumatoide é uma condição na qual o sistema imunológico ataca as células que revestem as articulações. Os inibidores da sEH poderiam ser avaliados juntamente com medicamentos atuais para investigar se ajudam a prevenir ou retardar os danos articulares causados pela doença.

Olivia Bracken, autora, no comunicado oficial

Caroline Aylott, da Arthritis UK, também destacou o potencial impacto da descoberta na qualidade de vida dos pacientes. “A dor da artrite pode afetar a forma como nos movemos, pensamos, dormimos e nos sentimos, além da nossa capacidade de conviver com pessoas queridas”, declarou à UCL.

A dor é extremamente complexa e diferente para cada pessoa. Por isso é fundamental investir em pesquisas que ampliem nossa compreensão sobre os mecanismos que influenciam essa experiência.

Caroline Aylott, da Arthritis UK, à UCL

Segundo ela, identificar um processo natural capaz de interromper inflamação e dor pode representar um avanço significativo no manejo da doença no futuro. O estudo foi financiado pela Arthritis UK e contou com pesquisadores da UCL, King’s College London, Universidade de Oxford, Queen Mary University of London e do National Institute of Environmental Health Sciences, nos Estados Unidos.

Fonte: Viva Bem UOL

Author: Luana Vigna Advocacia

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